Qual é de Fato o seu Papel?
- tecpr4
- 23 de mar.
- 2 min de leitura
É fácil falar de propósito quando tudo está fluindo. Quando o trabalho vai bem, a família está em harmonia, os amigos estão presentes e o terreiro vibra bonito. Nesses momentos, qualquer um acredita que está no caminho certo.
Mas e quando desanda?
Quando o ambiente pesa. Quando as relações desgastam. Quando as coisas simplesmente não andam. É aí que a verdade aparece, nua e crua, sem filtro espiritual, sem desculpa emocional.
Porque a pergunta não é se o ambiente está ruim.
A pergunta é: qual é a sua participação nisso?
Você melhora os lugares por onde passa ou apenas reclama deles?
Você sustenta a energia ou suga ela?
Você constrói ou só consome?
Existe uma tendência perigosa de terceirizar tudo.
Se o trabalho está ruim, a culpa é da liderança.
Se a família está desestruturada, o problema são os outros.
Se o grupo de amigos esfriou, ninguém mais presta.
Se o terreiro não está bom, “a energia caiu”.
Mas vamos falar com verdade?
Ambiente nenhum se sustenta sozinho.
Ele é reflexo direto das pessoas que o compõem.
E isso inclui você.
Você é parte do problema ou da solução. Não existe neutralidade.
Não adianta cobrar acolhimento se você não acolhe.
Não adianta exigir respeito se você não respeita.
Não adianta querer um ambiente leve se você chega pesado.
E aqui vem o ponto que poucos têm coragem de encarar:
Quando tudo dá errado, não é sempre macumba.
Não é sempre olho grande.
Não é sempre mal agouro.
Às vezes é desorganização.
Às vezes é ego.
Às vezes é falta de responsabilidade.
Às vezes é imaturidade emocional travestida de “sensibilidade espiritual”.
É mais confortável acreditar que alguém fez algo contra você do que assumir que talvez você não esteja fazendo o que deveria.
Porque assumir responsabilidade dói.
Exige revisão.
Exige mudança.
Exige sair do papel de vítima.
E ser vítima é confortável.
Não exige esforço.
Não exige crescimento.
Só exige narrativa.
Mas quem quer evoluir de verdade não vive de narrativa.
Vive de consciência.
Qual é o seu papel?
No trabalho, você eleva ou contamina o ambiente?
Na família, você aproxima ou afasta?
Entre amigos, você fortalece ou desgasta?
No terreiro, você soma ou só absorve?
Espiritualidade nenhuma sustenta falta de postura.
Guia nenhum faz o trabalho que é seu.
Energia nenhuma resolve aquilo que é comportamento.
Você pode até ter influência espiritual ao redor.
Mas o seu posicionamento continua sendo sua responsabilidade.
No fim, a pergunta não é o que fizeram com você.
É o que você está fazendo com tudo aquilo que recebeu.
Porque onde você está hoje, de alguma forma, também é resultado das suas escolhas, das suas omissões e da sua postura.
E se isso incomoda, talvez seja exatamente o ponto onde você precisa olhar.
Texto: Michel Dourado - Dirigente Espiritual - CECPR
Data: 23/03/2026

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