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Terreiro é lugar de evolução, mas evolução também exige presença

  • tecpr4
  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura

Não adianta a entidade chegar com força, o ogan puxar o ponto, o Pai de Santo firmar a gira, se a corrente está fria, pesada, dispersa e sem entrega.

Gira não é plateia.


Terreiro não é lugar para assistir espiritualidade acontecer.


É lugar para participar dela.


As entidades chegam com alegria porque, para elas, o encontro é sagrado. É festa espiritual. É reencontro. É oportunidade de trabalho, cura, limpeza e transformação. Elas são nossos convidados mais nobres. E, muitas vezes, nós as recebemos com rosto fechado, canto fraco, palma sem vida e corpo parado, como se estivéssemos fazendo favor.


Mas pense bem: você receberia uma visita importante na sua casa com má vontade? Deixaria a casa apagada, a mesa vazia e o coração fechado?


Então por que fazemos isso com os guias?


Todos temos problemas. Todos carregamos dores, preocupações, cansaços e batalhas. Mas talvez a grande lição esteja justamente aí: aprender a entrar no terreiro sem entregar o comando da nossa energia aos nossos problemas.

Cantar também é firmeza.


Bater palma também é fundamento.


Dançar também é oração.


Sorrir também é caridade.


Participar também é disciplina.


Muita gente quer receber axé, mas chega sem oferecer presença. Quer força, mas não coloca força. Quer cura, mas entra na gira alimentando o mesmo peso que diz querer deixar para trás.


A gira começa antes da consulta. Começa no canto, na vibração, na corrente, na disposição de cada um em elevar o ambiente. Porque quando a corrente canta com verdade, quando as palmas cadenciam com vontade, quando o corpo se permite vibrar, algo muda. A energia sobe. O terreiro acende. A espiritualidade encontra caminho.


E talvez seja isso que esteja faltando em muitas vidas: menos reclamação e mais entrega. Menos cara fechada e mais fé em movimento. Menos presença de corpo e mais presença de alma.


Porque entidade trabalha, sim.


Ogan sustenta, sim.


Pai de Santo firma, sim.


Mas gira forte se faz com corrente viva.


E corrente viva não é aquela que apenas está no terreiro.


É aquela que chega para somar.


Texto: Michel Dourado - Dirigente Espiritual - CECPR

Data: 26/05/2026

 
 
 

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