O Silêncio das Certezas
- tecpr4
- 3 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
A gente perdeu o contraditório.
Perdeu o espelho que refletia o que não queríamos ver.
Hoje, cada um vive dentro da própria convicção, chamando de verdade o eco da própria voz.
Acreditamos tanto no que pensamos que esquecemos de pensar de novo.
Nosso olhar se fechou em torno de si mesmo, e o mundo passou a caber apenas onde concorda conosco.
O resto, descartamos.
Chamamos de errado, de tolo, de absurdo.
Mas o que é verdade, afinal?
A verdade é frágil, mutável, relativa.
É um reflexo que muda conforme a luz, um retrato que envelhece no tempo.
Mesmo assim, a tratamos como se fosse pedra.
E quem tenta movê-la é logo visto como ameaça.
Quando acreditamos demais na nossa verdade, deixamos de nos desafiar.
Passamos a viver para defendê-la, não para entendê-la.
E mesmo quando percebemos que talvez ela não seja tão verdade assim, a arrogância humana nos impede de recuar.
Insistimos, só para não dar o braço a torcer.
A mente humana teme a dúvida.
Então, constrói certezas como quem constrói muralhas.
Mas toda muralha que nos protege também nos isola.
E toda certeza que não é questionada vira prisão.
O contraditório é o ar fresco da consciência.
Sem ele, o pensamento apodrece em silêncio.
Sem ele, o amor degenera em vaidade.
Sem ele, a convivência morre sufocada pela soberba.
O verdadeiro crescimento não nasce da confirmação, mas da fricção.
Da coragem de escutar o que desmonta nossas convicções.
De admitir que talvez o outro veja algo que nós não vemos.
Porque toda vez que o chão das certezas racha, a luz da consciência entra.
E é nesse instante, entre o desconforto e a revelação, que a alma finalmente aprende.
A verdade não é território a ser conquistado.
É caminho a ser percorrido.
Quem a defende, estaciona.
Quem a busca, evolui.
Texto: Michel Dourado - Dirigente Espiritual - CECPR
Data: 03/11/2025

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